sexta-feira, 25 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
A cidade do sol
A lista de horrores já soa, a esta altura, familiar. Meninas proibidas de ir à escola e condenadas ao analfabetismo. Mulheres impedidas de trabalhar e de andar pelas ruas sozinhas. Milhares de viúvas que, sem poder ganhar seu sustento, dependem de esmolas ou simplesmente passam fome. Mulheres com os dedos decepados por pintar as unhas. Casadas, solteiras, velhas ou moças que sejam suspeitas de transgressões - e tudo o que compõe a vida normal é visto como transgressão - são espancadas ou executadas. E por toda parte aquelas imagens que já se tornaram um símbolo: grupos de figuras idênticas, sem forma e sem rosto, cobertas da cabeça aos pés nas suas túnicas - as burqas. Quando o Afeganistão entrou no noticiário por aninhar os terroristas que bombardearam o World Trade Center e o Pentágono, essas cenas de mulheres tratadas como animais voltaram a espantar o Ocidente. Elas viviam em regime de submissão absoluta havia muito tempo, mas a situação ficou ainda pior desde que a milícia Talibã tomou o poder no país, em 1996. essa semana acabei de ler o "A cidade do sol" do autor do caçador de pipas. uma tristeza muito grande tomou conta de mim, esses 3 dias que li o livro, um dos sentimentos mais insistente era a incapacidade, me sentia incapaz, tão incapaz quanto aquelas mulheres.
as vezes é difícil para mim tentar imaginar que possa existir tamanha violência, é difícil de acreditar que existe um lugar na terra, com pessoas capazes de tratar um ser com tanto desprezo e horror em nome de um Deus e de leis q nem eles mesmo sabem mais o que significa.
em algum lugar dentro de mim, sinto que nosso país não está tão longe de algo assim...o que é uma pena. Nesses 3 dias me senti cansada, triste, revoltada, até solitária em minha alma. e penso que não é tão diferente ser mulher aqui no Brasil como lá no Afeganistão. não consigo ver tanta diferença, talvez o casamento seja a diferença maior, porém quanta violência, quantos maus tratos a mulheres e crianças.
olhe o rosto dessa mulher, procurei nesse rosto um sinal de felicidade de contentamento, alegria, e encontrei apenas o que lhe foi tirado nessa vida, sua própria vida. as vezes chego a pensar que nós reclamamos demais de nossa própria felicidade e que sim de certa forma somos muitos felizes.
Respeitem seus pais, os mais velhos e os menos valorecidos, por trás de suas rugas e roupas surradas existe uma vida.




